VESTIBULAR 2016 – LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA DO SUL DA MATA ATLÂNTICA

06/11/2015 17:01

A Coordenação do Curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica (Departamento de História/Centro de Filosofia e Ciências Humanas) da Universidade Federal de Santa Catarina, tem a satisfação de comunicar que recepcionará sua segunda turma em abril de 2016.  Essa nova turma será composta por 45 (quarenta e cinco) estudantes, somando 15 (quinze) Guarani, 15 (quinze) Kaingang e 15 (quinze) Xokleng-Laklãnõ.

 

 A Comissão Permanente de Vestibular da UFSC (COPERVE) é o órgão competente para a organização do vestibular específico, a ocorrer em data de 21 de fevereiro de 2016, das 14h às 19h, nas cidades de Florianópolis, José Boiteux e Xanxerê, em Santa Catarina. 

 

Da prova constarão 10 (dez) questões de Língua Portuguesa, 20 (vinte) questões de Conhecimentos Gerais e Redação em língua indígena Guarani, Kaingang e Xokleng-Laklãnõ. 

 

As inscrições gratuitas estarão abertas no período de 10 de novembro a 07 de dezembro de 2015, unicamente na forma online, junto à página www.licenciaturaindigena2016.ufsc.br, na qual constam o Edital 08/COPERVE/2015 e a Resolução 16/CGRAD, de 04.11.15, documentos que oficializam o processo seletivo em tela. 

A Coordenação do Curso Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica aposta em inscrições, estudos, provas e resultados positivos aos interessados. 

 

Caso surjam dúvidas ou dificuldades com relação ao processo de inscrição, por favor não deixem de efetivar contato por meio do endereço eletrônico ou nos telefones: (48) 3721-4879 / 3721-2600. 

 

Florianópolis, 06 de novembro de 2016. 

Equipe de Coordenação do Curso LII

 

Curso Licenciatura Indígena 2016

06/08/2015 11:31

 

  • Denominação:

LICENCIATURA INTERCULTURAL INDÍGENA DO SUL DA MATA ATLÂNTICA

  • Eixo norteador:

Territórios e Conhecimentos Indígenas no Bioma Mata Atlântica

  • Destinatários:

Povos indígenas que vivem na parte meridional/sul do Bioma Mata Atlântica: Guarani(ES, RJ, SP, PR, SC, RS e MS), Kaingang (SP, PR, SC, RS) e Laklãnõ/Xokleng(SC).

  • Vagas:

Quarenta e cinco vagas, divididas em quinze de cada etnia: Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng, totalizando cento e oitenta alunos a ingressarem na LII/UFSC nos próximos quatro anos, nos semestres 2016.1, 2017.1, 2018.1 e 2019.1, com constantes avaliações e possíveis redefinições.

  • Vestibular específico – COPERVE/UFSC:

Inscrição: entre novembro e dezembro de 2015. Período ser definido e divulgado.

Prova: em fevereiro de 2016, com redação em língua indígena (Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng). Data a ser definida e divulgada.

  • Início das aulas na UFSC:

Abril de 2016. Data a ser definida e divulgada.

  • Entrada de turmas:

Semestres 2016.1, 2017.1, 2018.1, 2019.1 e assim sucessivamente.

  • Habilitação para:

Anos Finais do Ensino Fundamental e Ensino Médio[1]

  • Terminalidades:

Licenciatura do Conhecimento Ambiental

Licenciatura em Artes e Linguagens

  • DadosGerais:
  1. Carga horária total: 3.744 horas/aula
  2. Duração: 4 anos
  3. Regime do curso:

O curso está estruturado na forma presencial em espaços e tempos que buscam promover a integração e a articulação entre as instituições educativas responsáveis pela formação e as realidades das comunidades dos alunos. Metodologicamente pressupõe a instituição da Pedagogia da Alternância, que viabiliza a alternância entre Tempo-Universidade e Tempo-Comunidade.

 

  • Tempo Universidade/TU:

Constituído de períodos presencias e intensivos de formação, com aulas que ocorrem no Campus da UFSC/Florianópolis e/ou nas escolas em Terras Indígenas ou o mais próximo delas, a depender de possibilidades e viabilidades acordadas entre turmas, comunidades indígenas e a coordenação. O TU caracteriza-se por etapas intensivas de duas a três semanas, a depender da carga horária das disciplinas no semestre.

  • Tempo Comunidade/TC:

Período formalmente destinado a estudos orientados, projetos de pesquisa e de intervenção comunitária. Com carga horária menor, ocorre entre uma etapa presencial e outra. No Tempo Comunidade, a participação de sábios/especialistas indígenas é um importante recurso para a aprendizagem. O TC ocorre com o acompanhamento e a supervisão de professores do curso, além de graduados em cursos Licenciatura Indígena da UFSC e outras Instituições de Ensino Superior.

  • Orientação acadêmica:

De aluno ou grupo de alunos por temática de pesquisa ao longo do curso, a partir do primeiro semestre.

 

Objetivo Geral:

Formar e habilitar educadores indígenas, no ensino superior, numa perspectiva intercultural e interdisciplinar, em licenciatura visando os anos finais do ensino fundamental e o ensino médio de escolas indígenas, possibilitando igualmente o desenvolvimento de atividades para além da esfera escolar, com atuação em projetos, pesquisas e atividades ligadas diretamente as suas comunidades.

Objetivos Específicos:

  • Formar professores Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng para atuação nas escolas de ensino fundamental e médio de suas comunidades, em consonância com a realidade social e cultural específica e segundo a legislação nacional que trata da educação escolar indígena;
  • Criar condições teóricas, metodológicas e práticas para que os professores Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng possam refletir e construir os projetos político-pedagógicos de suas escolas;
  • Habilitar professores os professores Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng para a prática de planejamento e de gestão escolar;
  • Potencializar lideranças indígenas para atuação como agentes na defesa de seus direitos tanto territoriais, como de conhecimento tradicional e de organização social, política, econômica e cultural;
  • Desenvolver ações que permitam a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, fortalecendo as pesquisas e articulações dos acadêmicos;
  • Promover ações didático-pedagógicas de caráter transdisciplinar no processo de formação do educador;
  • Garantir que o processo ensino-aprendizagem integre atividades desenvolvidas entre a universidade, as escolas e as comunidades indígenas.


 

[1] Tal definição tem como fundamento a formação de professores no Ensino Médio, em Curso de Magistério Indígena – Habilitação em Educação Infantil e Anos Iniciais do Ensino Fundamental, por parte da Secretaria de Estado da Educação de Santa Catarina, a partir do segundo semestre de 2014.

Ação Saberes Indígenas na Escola em SC (Secadi/MEC/SED/UFSC)

25/05/2015 10:06

Estão abertas as inscrições para a seleção de orientadores de estudo que atuarão na Ação Saberes Indígenas na Escola (Secadi/MEC/SED/UFSC) junto aos povos Guarani, Kaingang e Xokleng/Laklãnõ.

Os selecionados receberão formação para atuarem como orientadores de estudo em equipes de trabalho com professores cursistas da sua escola ou de diversas escolas indígenas da rede estadual na sua região.

As inscrições iniciam em 18 de maio e estendem até 18 de junho de 2015.

Os candidatos devem reunir os seguintes requisitos:

a) Ser professor vinculado à escola indígena da rede de ensino, com experiência na educação básica;

b) Ter participado de cursos de formação de professores para atuação em escolas indígenas;

c) Ter disponibilidade para dedicar-se à Ação Saberes Indígenas na Escola e à formação junto aos professores cursistas vinculados às escolas indígenas.

As inscrições podem ser realizadas nas Gerências Regionais de Educação – GEREDs de Brusque, Canoinhas, Chapecó, Grande Florianópolis, Ibirama, Joinville, Laguna, Seara e Xanxerê, no período de 18 de maio a 18 de junho de 2015, no horário das 14 horas às 18 horas, pelo próprio candidato.

Para realização da inscrição, o candidato deverá apresentar os seguintes documentos: a) Currículo; b) Ficha de inscrição preenchida; c) RG e CPF (original e cópia); d) Certificado de conclusão de curso superior ou magistério intercultural (original e cópia) e/ou atestado de frequência em curso de licenciatura ou magistério intercultural; e) Declaração que comprove vínculo com escola indígena, assinada pelo diretor(a) da escola ou pelo(a) supervisor(a) de Educação Básica ou gerente da GERED.

Mais informação em http://www.sed.sc.gov.br/secretaria/edital-no-072015-saberes-indigenas-nas-escolas

Universidade brasileira forma sua primeira turma composta só por índios – Artigo por Bruna Angélica Pelicioli Riboldi

16/04/2015 11:44
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Imagem: Henrique Almeida, Divulgação UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina formou a sua primeira turma composta só por índios. O grupo se gradua em Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica.

São 85 alunos das etnias guarani, kaingang e laklãnõ/xokleng, provenientes do Mato Grosso do Sul (MS), Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS). O curso teve duração de quatro anos, entre aulas na universidade e atividades desenvolvidas nas aldeias. Os estudantes receberam formação para lecionar nas áreas de infância, linguagens, humanidades e conhecimento ambiental indígena.

O juramento na colação de grau falou de cultura, liberdade, autonomia, luta pela terra, autodeterminação, alegria e crianças sadias. O discurso dos oradores ressaltou a preocupação com o futuro, a importância das tradições culturais e da demarcação de território indígena:

– Não importa o povo ou etnia a que pertencemos, somos todos irmãos, filhos desta terra – lembraram.

Disponível em: http://www.conexaolusofona.org/universidade-brasileira-forma-a-primeira-turma-composta-so-por-indios/#.VS_KPfA73Wu

Diversidade, emoção e conquista: primeira formatura de Licenciatura Intercultural Indígena da UFSC

14/04/2015 06:14

O juramento na colação de grau da primeira turma de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica da UFSC, na noite de quarta-feira, 9 de abril, falava de cultura, liberdade, autonomia, luta pela terra, autodeterminação, alegria e crianças sadias. Os discursos reiteravam a preocupação com o futuro e com manter tradições e costumes para os filhos. Pois eles estavam lá. Mais ainda do que a média habitual das formaturas, a cerimônia estava repleta de crianças, famílias e amigos, muitos dos quais vieram de longe para a ocasião: os formandos – das etnias guarani, kaingang e laklãnõ/xokleng  são provenientes do Mato Grosso do Sul (MS), Espírito Santo (ES), Rio de Janeiro (RJ), Santa Catarina (SC) e Rio Grande do Sul (RS).

Pouco antes do início da cerimônia, o kaingang Armandio Bento, 48 anos, (“21 deles como professor”, faz questão de ressaltar) não aparentava nervosismo. “Estou tranquilo e muito feliz. Agora poderei trabalhar com turmas mais avançadas, e podemos aprimorar as escolas indígenas na minha cidade”, comemorava. A cidade a que ele se refere é Redentora, no Oeste do Rio Grande do Sul (RS), com população de pouco mais de 10 mil pessoas. “Nossas principais atividades lá são o artesanato e a agricultura, e queremos continuar com essas coisas, mas também levar mais saúde e valorizar cada vez mais o estudo”, prevê.

Familiares e amigos que vieram com os formandos já se reuniam nos arredores do Centro de Cultura e Eventos desde o meio da tarde. Os trajes de formandos e convidados mostravam a diversidade também no estilo.

Com 11 pessoas na “torcida”, o xokleng Woie Patté, de José Boiteux, era um dos mais animados, tanto na hora de subir ao palco para tomar o lugar na cerimônia quanto na hora de receber o diploma: entrou, acenando para a família; abriu os braços; inclinou-se para agradecer; quando pareceu que ia sentar-se, caminhou de volta em direção à plateia – e foi aplaudido à altura. “É uma noite de muita alegria, estou emocionado mesmo”, diz. Ele trabalhava como agente de saúde e resolveu aproveitar a oportunidade de fazer uma graduação e iniciar uma carreira acadêmica – agora, os planos incluem mestrado e doutorado.

O discurso dos oradores ressaltava a importância das tradições culturais e da demarcação de território indígena. “Não importa o povo ou etnia a que pertencemos, somos todos irmãos, filhos desta terra”, lembraram. A voz chegou a falhar por causa da emoção quando dois colegas foram lembrados: Natalino e Eduardo, que são parte da turma, mas faleceram antes de terminar o curso. A paraninfa Maria Dorothea Post Darella prestou uma homenagem especial à formanda Maria Cecilia Barbosa, que se tornou bisavó enquanto fazia o curso. O presidente da Funai, Flávio Chiarelli Vicente de Azevedo, também compareceu à cerimônia.

Foi o cuidado com a família e seu povo que impulsionou o primeiro formando da noite, o guarani Adelino Gonçalves, a completar o curso, após quase haver desistido. Morador de Biguaçu (SC), conta que a rotina de trabalho e estudos ficou forçada demais, e ele quase largou a graduação pela metade. “Mas eu sei que isso vai fazer uma diferença para nós. Tenho que espalhar esse conhecimento, temos que mostrar as coisas que aprendemos e valorizar o que ensinamos. A experiência de convivência foi muito importante; um dos motivos para os não índios não respeitarem nossa cultura como deveriam é porque não a conhecem”, observa.

Veja mais fotos:

http://noticias.ufsc.br/2015/04/diversidade-emocao-e-conquista-a-primeira-formatura-de-licenciatura-intercultural-indigena-da-ufsc/#more-126455

Notícias quanto à Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica

26/02/2015 22:09

 A Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica (LII), iniciada na UFSC em fevereiro de 2011, navega em direção à formatura de sua primeira turma, em abril de 2015. O curso é composto por acadêmicos Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng, provenientes dos estados de MS, ES, RJ, SC e RS, e tem como substrato a questão territorial, os direitos territoriais. Daí seu eixo norteador denominar-se Territórios Indígenas: A questão fundiária e ambiental no Bioma Mata Atlântica.

Todos os cursos Licenciatura Intercultural Indígena no Brasil pressupõem metodologicamente a instituição da pedagogia da alternância, que viabiliza a experiência que agrega Tempo-Universidade (TU) e Tempo-Comunidade (TC). No nosso caso, o Tempo Universidade esteve constituído por períodos presencias e intensivos de formação no Campus da UFSC/Florianópolis e/ou nas escolas em Terras Indígenas ou o mais próximo delas, a depender de possibilidades e viabilidades acordadas entre turmas, comunidades indígenas e a coordenação. Foram totalizadas vinte etapas intensivas de duas a três semanas, a depender da carga horária das disciplinas no semestre. Já o Tempo Comunidade destinou-se a estudos orientados, projetos de pesquisa e de intervenção comunitária. Com carga horária menor, ocorreram entre uma etapa presencial e outra. No TC, a participação de sábios e especialistas indígenas foi um extraordinário recurso para a aprendizagem, sendo gerados trabalhos apresentados por turma/disciplinas ou no conjunto das turmas/disciplinas.

Em 2013.2 os acadêmicos optaram por terminalidades e ênfases de seu interesse: Linguagens – Línguas Indígenas; Humanidades – Direitos Indígenas e Conhecimento Ambiental – Gestão Ambiental, visando complementar a Terminalidade Infância.

Para além das 42 disciplinas ministradas e dos trabalhos tempo comunidade efetivados, o curso ofertou Atividades Acadêmico-Científico-Culturais (AACCs) que integraram a estrutura curricular do curso, totalizando 252 h/a. Propostas por estudantes, professores e coordenação ocorreram, sobretudo, durante as etapas Tempo Universidade. Envolveram uma variedade de proposições, distribuídas em diferentes modalidades. Essas atividades possuem a finalidade de ofertar enriquecimento curricular aos acadêmicos indígenas. Visam contribuir para a formação, oferecendo ambientes culturalmente ricos e diversos, voltados para o debate de temas complementares e relacionados de forma acentuada ao eixo norteador do curso. Em diferentes AACCs foi essencial a participação de sábios/especialistas indígenas.  Nossos alunos também participam do PIBID Diversidade.

Neste momento, a Coordenação sublinha ainda mais notícias:

  • Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs)

Em março de 2014 os alunos estavam definindo seus temas e orientadores. Passaram pelas disciplinas TCC I e II, nos semestres 2014.1 e 2014.2, respectivamente, encontraram-se com seus orientadores, prepararam seus projetos de pesquisa, apresentando-os em sala de aula, rebuscando sua reflexão e seguindo para as pesquisas propriamente ditas.

Os projetos de TCCs foram apresentados em julho de 2014. Os alunos abarcaram uma multiplicidade de temas diretamente relacionados com os contextos vividos nas suas comunidades e terras indígenas, a abranger: mata, fauna, flora e recursos hídricos; saúde – curadores/rezadores, autoatenção, parto, parteiras, ervas medicinais, resguardo, práticas corporais, rituais; cultura material – petyngua/cachimbo, artefatos e artesanato, instrumentos musicais etc.; práticas culturais; cosmologia e calendário solar e lunar; infância; juventude; mulheres; línguas guarani, kaingang e laklãnõ/xokleng; educação indígena; educação escolar indígena; plantação e alimentação; organização sociopolítica; Serviço de Proteção aos Índios (criado em 1910 e que antecedeu a atual Funai); Barragem Norte etc.

O regulamento de TCC do curso prevê a possibilidade do trabalho: a) se constituir como monografia, artigo, material didático, vídeo, ou ainda outra forma; b) ser bilíngue e c) ser efetivado em dupla. Para a sua elaboração os acadêmicos viabilizaram a pesquisa com mais velhos Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng, com colegas, com profissionais não indígenas, valorizando conhecimentos e experiências. Utilizaram-se da pesquisa bibliográfica e documental. Vários alunos escreveram resumos na língua português-brasileira e na sua língua materna/paterna. Desbravaram caminhos, efervesceram movimentos.

Para tal empreendimento, os orientadores foram essenciais. Trabalharam em conjunto, iluminaram possibilidades, se empenharam e solidarizaram durante meses, viajaram, se despojaram.

  • Bancas de Trabalhos de Conclusão de Curso

As bancas de TCCs ocorreram de novembro de 2014 a fevereiro de 2015. De acordo com o regulamento, aos acadêmicos é permitida a opção de defesa na UFSC ou na sua comunidade/aldeia/setor/linha. Assim, as bancas ocorreram na UFSC e em sete terras indígenas, a saber: Mbiguaçu, Morro dos Cavalos, Laklãnõ e Piraí (Santa Catarina) e Inhacorá, Guarita e Serrinha (Rio Grande do Sul). Outro aspecto a sublinhar refere-se à possibilidade de pronunciamentos da plateia ao término da arguição. E, de fato, registraram-se variadas manifestações de colegas, parentes e lideranças, a consubstanciar o exercício conjunto. As bancas podem, assim, ser somadas às variadas oportunidades de aprendizado a conter reciprocidade, solidariedade e comprometimento.

A partir da recepção dos arquivos revisados, a Coordenação trabalhará para a disponibilização dos TCCs no Sistema Pergamum da Biblioteca Central da UFSC, bem como para a organização de publicações, visando retorno às escolas, às comunidades, aos pesquisados que engrandecem essa trajetória ímpar.

Vale lembrar existir empenho para a continuidade do curso na UFSC, doravante como uma graduação regular, com entrada anual, a partir de agosto de 2015, com processo seletivo específico sob responsabilidade da Coperve, como em 2010. Todavia, a efetivação somente ocorrerá com posturas firmes e determinadas de um conjunto de responsáveis que inclui a UFSC, o MEC, a Funai, as Secretarias de Estado da Educação e os parceiros essenciais. Lideranças indígenas em diversas oportunidades, o que inclui bancas de TCCs, marcaram sua posição quanto à importância da Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica quanto, inclusive, aos direitos territoriais, ao direito de saúde e educação efetivamente diferenciados, somados à autonomia e autodeterminação.

Na noite de 08 de abril de 2015 os alunos Guarani, Kaingang e Laklãnõ/Xokleng se formarão no Centro de Eventos da UFSC. De fato, um evento marcante para cada integrante desta valorosa caminhada nesta nossa Universidade.

 

Coordenação da LII

ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU GUARANI

09/02/2015 12:45
ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU GUARANI
José Ribamar Bessa Freire
08/02/2015 – Diário do Amazonas

(De Biguaçu, SC) Três pesquisadores indígenas defenderam nesta quarta feira (4/2) seus trabalhos de conclusão de curso (TCC). Ronaldo A. Barbosa batizado em guarani como Karai Djudescreveu, com os pés na terra, a agricultura tradicional e, para ilustrar suas hipóteses, trouxe da roça vários tipos de milho, melancia, amendoim, aipim, abóbora e batata doce. Já seus colegas Geraldo Moreira (Karai Okenda) e Wanderley Moreira(Karai Ivyju Miri), com os olhos no céu, enveredaram pela astronomia e trouxeram um mapa do universo que demarca o céu guarani com suas estrelas e constelações.

Alunos do Curso de Licenciatura Intercultural Indígena do Sul da Mata Atlântica, eles fazem parte da turma de 120 índios Xokleng LaklãnõGuarani e Kaingang, com ingresso em fevereiro de 2011 na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Quatro anos depois, as defesas mencionadas – as primeiras da UFSC em terra indígena – aconteceram não no campus, mas numa aldeia com o nome poético de Reflexo das Águas Cristalinas (Yynn Moroti Wherá em guarani), localizada no município de Biguaçu, para onde os membros da banca se deslocaram.
As duas monografias se complementam como se fossem capítulos de um livro, pois os Guarani para verem a terra, olham o céu. Com a leitura do céu, elaboram o calendário cosmológico chamado Apyka Miri, que conta o tempo, marca o clima, a chegada da chuva, a época de extrair o mel e de semear, o tempo da colheita e de fazer artesanato, a duração das marés, a caça e a pesca, tudo em sintonia com Nhanderu Tenonde – o Pai Criador e com Nhamandu – o Pai Sol. A astronomia e a religião é que dão suporte para a agricultura guarani, que tem o pé na terra e o olho no céu.
Como os índios pensam
Foi essa leitura que Geraldo e Wanderlei fizeram trabalhando nos últimos sete anos para reconstituir uma versão do calendário guarani. Orientados por Wherá Tupã, registraram o conhecimento oral antigo, observaram as principais constelações, descreveram seus significados para as atividades cotidianas e construíram uma réplica do relógio guarani, desenvolvendo uma metodologia para ensinar as crianças da aldeia, que desta forma aprendem mais facilmente. Germano Bruno confirma:
– Para o ensino da Astronomia às crianças, o céu guarani é um auxiliar precioso. Quando elas aprendem as constelações indígenas – da Anta, do Veado, da Ema, da Cobra, da Canoa, do Homem Velho, etc – a versão ocidental fica mais fácil de ensinar. Não precisa forçar a imaginação, você olha e enxerga. Por que? Porque os índios não apenas juntam as estrelas brilhantes, mas formam as figuras com as manchas claras e escuras da Via Láctea. Assim, eles veem mesmo determinado animal no céu. Como aquela brincadeira que se faz com as crianças de enxergar desenhos nas nuvens.
Os dois concludentes esclarecem que “o pensamento guarani não é estático, nem imutável. As constelações sazonais oferecem uma enorme diversidade de interpretação. Para acessar essa cosmologia é preciso considerar a localização física e geográfica de cada grupo indígena, com os que habitam o litoral e o interior ou diferentes latitudes“.
Outras defesas de TCC ocorrerão até final de fevereiro. As monografias estão comprovando que os índios são capazes de se apropriar dos métodos da academia para produzir conhecimento, mas sobretudo que eles trazem relevante contribuição para que a universidade aprenda como pensam os índios. Ronaldo, que antes se formou como técnico em agropecuária no Colégio Agrícola de Araquari (SC), diz que ele tem hoje a visão de dois mundos e pode transitar por ambos: “Dessa forma está sendo plantada uma semente onde vamos poder colher bons frutos”.
Ah, ia me esquecendo. Por falar em bons frutos, entre uma defesa de manhã e a outra de tarde, os integrantes da banca almoçaram os anexos da monografia: milho, melancia, cará, batata doce. Estavam deliciosos. Nota dez.
P.S.1 As bancas examinadoras foram compostas por Helena Alpini (orientadora), Maria Dorothea Post Darella, Aldo Litaiff e este locutor que vos fala, todos professores do curso. Mas de outra espécie de “banca informal, fizeram parte os sábios guarani Alcindo Moreira, Rosa Mariani Cavalheiro e Nadir Amorim, que aprovaram o trabalho dos três alunos.
P.S. 2 – A UFSC apresentou em 2009 proposta do Curso de Licenciatura ao PROLIND – um programa de apoio à formação superior de professores que atuam em escolas indígenas. Agora, negocia com o MEC para que a Licenciatura Intercultural Indígena se transforme num curso regular a partir de agosto de 2015. A equipe esteve formada, entre outros professores, por Maria Dorothea Post Darella, Ana Lúcia Notzold, Clóvis Brighenti, Lucas Bueno – coordenador geral e Rivelino Barreto Tukano, coordenador pedagógico.
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